12/07/2010

Soneto sobre a Língua portuguesa (Olavo Bilac )



Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho

Um comentário:

  1. Olá, Gisela!
    Lindíssimo o soneto de Bilac;como parnasiano, ele nos surpreende com tanta emoção e conteúdo, não é mesmo? Em minha opinião, Ùltima Flor do Lácio(Bilac) e As Pombas (Raimundo Correia) desmentem a crítica dos modernistas em relação aos poetas parnasianos, você não acha? Beijos.
    Glória.

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